BRASIL: PAÍS RICO?
Irineu Carlos de OLIVEIRA PRADO
Alentado artigo do economista Roberto Macedo (“Mailson da Nóbrega e seu novo livro” – Estadão 03.04.26 – página A 4) trouxe em destaque esta síntese do importante comentário: “Tudo é muito bem arrumado e explicado. Servirá, também aos candidatos à Presidência, se quisessem entender melhor a economia brasileira.”
Seduzido pelo artigo, e pelo título (“O Brasil ainda pode ser um país rico”, Editora Matrix, 2026), acabei adquirindo o livro do Prof. Mailson da Nobrega, reconhecido economista e que já foi Ministro da Fazenda, do Governo Sarney, a quem é atribuído o Plano Econômico Feijão com Arroz (apelido consagrado do Plano Verão), mal sucedido como outros, antes do Plano Real.
A obra em questão, em sua primeira parte, traz lições valiosas de História e Economia. Desde os povos da antiguidade, e sua evolução, até a Revolução Industrial, tratando também sobre a América Latina (frustrações), e da China, desde sua pré-história.
Na parte final, a justificar o título, o autor trata daquilo que chama de Vento a Favor ou seja, fatores em que a administração pública federal, e mesmo as particulares devem investir, com afinco, para que a resposta positiva à indagação seja Sim à possibilidade do Brasil vir a tornar-se país rico.
Muitas são as ponderações e análises na obra. Escolhi dois temas. Um que de certa forma ocupa as manchetes dos grandes jornais (Banco Central) e outra o transporte ferroviário, de minha predileção, como filho de ferroviário, ex-advogado do sindicato dos ferroviários locais e, de alguns anos para cá, presidente da Comissão pela Volta dos Trens de Passageiros a Rio Claro, da Subseção local da OAB.
No livro o autor exalta a importância de Banco Central independente, e o acerto de se por fim ao Bancos Estaduais, que mais se prestavam a servir de moeda para os governadores. Isto pelo que se comentava à época, e até 1.996, quando o PROER – Programa de Incentivo à Redução de Bancos Estaduais foi criado para esta importante finalidade.
De sorte que hoje apenas o Distrito Federal tem controle acionário de banco, o BRB, cuja insolvência – ao que se pode supor — não se mostra tão distante e que, em negócio bem divulgado, com certo banco liquidado, nada ilustra ou justifica que o Distrito Federal tenha banco.
De observar que o Banco Central, gozando de independência, não autorizou o Banco de Brasília adquirir o Banco Master, cuja liquidação foi determinada dias após esta tentativa frustrada. E, neste particular, a independência do Banco Central é aplaudida pelo Autor e, que deve ser perpetuada.
Por outro lado, o autor considera, com propriedade, que o modal ferroviário, assim como o hidroviário, é insignificante em termos de investimento público (0,01 % do PIB), e que sua sobrevivência depende de PPPs (Parcerias Público Privadas), como é o caso da Rumo, cujos trens de carga tangenciam nossa cidade.
Bem de ver-se que o transporte ferroviário de mercadorias é modestíssimo (27%, conforme de se vê em WWW.gov.br+1) e de mercadorias pelo modal rodoviário atinge 61 e 64% – (WWW.gov.br+2). O transporte de passageiros por ferrovia é ridículo (3%, – Wikipedia + 3).
O Autor alvitra – firmemente — que o desenvolvimento do transporte ferroviário é fundamental para a riqueza e progresso do Brasil.
Sobre o transporte ferroviário de passageiros, a demonstrar quanto regrediu, costumo lembrar que, em 1930, em tempo de Revolução, Getúlio Vargas, com soldados e oficiais, armamentos, cavalos, etc. veio do Rio Grande do Sul até o Rio de Janeiro, por trem. E hoje, passageiro não vai de trem, de Rio Claro a Santa Gertrudes.
Desejo que, pelos motivos lembrados por mim, como por todos os outros apontados pelo autor, o Brasil possa vir a ser País Rico, com a participação dos brasileiros nesta riqueza. SE DEUS QUIZER!

Autor é Advogado (OAB/SP 25.686) e
Desembargador Aposentado (TJ/SP).
E-MAIL: oliveiraprado@aasp.org.br
Publicado em 30/04/2026, Jornal Cidade (Rio Claro/SP), Página 02

Belo artigo. Parabéns
A falta de trens de uma forma geral contribui para o encarecimento do custo Brasil
Menos mal que na administração anterior, o BANCO CENTRAL ficou independente, proporcionando a diminuição do mau uso da instituição, como foi outrora.
Quanto aos trens voltarem a ser oque foram na primeria metade do século passado e ainda até os anos 60, será uma dádiva te-los de volta à moda antiga, com frequencia e qualidade que alcancei de experimentar. Bom trabalho Prado e que frutifique seu esforço de reviver, pelo menos em parte, aqueles tempos.