JOSÉ RAMOS: GRANDE PERDA.
JOSÉ RAMOS: GRANDE PERDA.
Irineu Carlos de OLIVEIRA PRADO
Na noite do domingo 26 de julho último, José Ramos, Mestre Confeiteiro de profissão, despediu-se desta existência, de sua esposa minha comadre Leni, de minha afilhada Évelyn e de seu neto Pedro Henrique.
Aposentado há alguns anos, estava bem afastado de suas atividades sindicais e sociais. Por mais de cinquenta anos esteve ligado ao Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Rio Claro e Região. O mais tempo como presidente da entidade.
Senti muito sua partida. Por ele tinha, e tenho ainda, grande admiração, como amigo e sobretudo compadre. José Ramos e Leni honram-me, na Paróquia da Aparecida, com o apadrinhamento de Évelyn, hoje advogada militante nesta Comarca.
Fui advogado de seu Sindicato por vários anos, até meu ingresso na Magistratura Paulista, em novembro de 1979.
Participei, como assessor jurídico, de inúmeras de suas conquistas e de seu Sindicato. Posso, com toda sinceridade, afirmar que a homenagem, com simpático texto publicado pela atual diretoria da entidade, nesta Cidade de 28 último, é bastante discreta. Talvez por receio que o espaço fosse pequeno.
Mas, como consta do referido texto de homenagem, “… sua história se confunde com a história do Sindicato.”
Pelo que sei, quando o Compadre José Ramos iniciou-se na militância sindical, como empregado da antiga Padaria Pão Kent (como sempre foi), o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação era pequeno, como também pequeno era o dos Trabalhadores nas Indústrias de Bebidas. José Ramos e outros companheiros, cuidaram da fusão de ambos, com o nome atual.
Ao afastar-se, há alguns anos, aposentando-se definitivamente, o seu Sindicato já era o de maior percentual de trabalhadores sindicalizados da categoria. A confortável sede, (adquirida em sua gestão) na rua Um nº 1.491 (entre avenida oito e dez, no centro), teve seu amplo salão de reuniões construído sob sua direção.
A todo primeiro de maio, sob sua presidência, o Sindicato realizava assembleia comemorativa do Dia do Trabalhador, com a presença de centenas de associados. Numa delas, estando eu presente, a Federação dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de São Paulo, prestou-lhe homenagem, com diploma de mais antigo dirigente sindical da categoria em atividade, no Estado.
Por alguns anos José Ramos foi representante dos trabalhadores na Junta de Recursos da Previdência Social; e depois, Juiz Classista na antiga Junta de Conciliação e Julgamentos da Justiça do Trabalho, o que hoje não mais existe.
Tenho certeza de que meu compadre, com curso colegial, à noite no Bilac, e outros cursos de aperfeiçoamento, foi o mais preparado e eficiente vogal da Justiça do Trabalho em Rio Claro.
Até novembro de 1979, advoguei para de vários sindicatos de trabalhadores. Sempre disse, e agora repito: se aos demais dirigentes eu precisava, com jeito, animá-los em suas atividades, na defesa de seus representados, com José Ramos eu precisava contê-lo.
Observo que José Ramos presidiu o Sindicato em tempos de ditadura, quando aos donos do poder não convinham dirigentes sindicais ativos, independentes e preparados culturalmente. Mas tiveram que tolerá-lo.
Registro, por fim que, por vários anos, eu e José Ramos editamos um boletim mensal, com informações e orientações para os associados, o que – mesmo hoje – poucos sindicatos fazem.
Vou lembrar, para sempre, de nossas saídas, inclusive nas madrugadas, para panfletarmos nas portas de fábricas. E o pior: eu na garupa, e ele pilotando sua heroica vespinha.
Descanse paz do Senhor, querido compadre. Até que nos encontremos na Vida Eterna, se a Divina Providência permitir. O que muito espero.
Autor é Advogado (OAB/SP 25.686)
Desembargador Aposentado (TJ/SP).
E-MAIL: oliveiraprado@aasp.org.br


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