ALGUNS “CAUSOS”

Irineu Carlos de OLIVEIRA PRADO

CARREIRA ECLESIÁSTICA. Certo padre da igreja Católica estava a discutir com um rabino. Sustentando que a carreira eclesiástica dos sacerdotes judeus seria muito singela: o rabino, estaria rabino sempre.

Ponderava o padre que, no catolicismo, o padre poderia ser elevado a Monsenhor. E depois, questionava o rabino? Poderia ser elevado a Bispo, informava o padre. E depois? De novo indagava o rabino. Poderia ser Arcebispo e em seguida Cardeal.

E depois? Ainda questionava o rabino. Poderia  chegar a Papa, acrescentava o padre. Novamente o Rabino perguntava: e depois? Ao que o padre agora responde, finalizando, não poderia ser elevado a Deus, claro.

Aí o rabino mostra a pretensa superioridade de sua religião: um dos nossos rapazes chegou a tanto.

E com razão, pois Jesus Cristo, o mestre dos mestres, o grande rabino, era judeu.

Esta estória chegou até mim pelo agora Desembargador Ricardo Dip, ao tempo em que judicamos no Fórum de Pinheiros, eu na primeira e ele na terceira vara cível, década de 1990.

A MENIS UM. Contou-me um Promotor Substituto da Comarca de Taubaté, na época em que fui Juiz Substituto na mesma Comarca, em fins de 1979, o que se dera numa sessão do Tribunal do Juri, na Comarca de São Luiz do Paraitinga.

Hoje só são colhidos os votos suficientes para atingir a maioria. Ou seja, colhidos quatro votos pela condenação ou absolvição, os demais votos não são apurados.

Na época eram contados todos os votos dos jurados, sendo naquela sessão o réu condenado por seis votos a um. E, ao fim do julgamento, pediu a palavra. Ainda que sem previsão para tanto, o Juiz Presidente do :Tribunal do Juri permitiu que o réu falasse.

Curiosamente, disse: “MM. Juiz. Quero que Vossa Excelência, o doutor Promotor, o meu advogado, e o senhores jurados, A MENIS UM, com todo respeito, desejo que vão todos a p. q. p.

Pelo que sei, o Magistrado, escondendo a vontade de rir, deixou passar o desrespeito à solenidade.

ALCOOL NÃO. Na época em que fui Juiz Substituto em Piracicaba, início de 1980, eu e mais dois magistrados igualmente substitutos (Luiz Beethoven Giffoni Ferreira, hoje desembargador, e Francisco Alberto Marciano da Fonseca, precocemente levado à mansão dos justos), passamos o mês de janeiro especialmente trabalhoso, decorrente também de nosso noviciado.

Propus aos colegas, que ao final do trabalhoso mês programássemos de jantar juntos e, quiçá tomarmos uma cerveja. A comemorar o final feliz do trabalho de substituição.

De imediato, Beethoven alardeou que não tomava álcool. Francisco Alberto disse que também não. Indagado por Beethoven se isto era por algum problema de saúde. Beto esclareceu: não bebia álcool, porque preferia, moderadamente, cerveja ou vinho.

AMOR CANINO. Em meados de 1985, no Fórum João Mendes, na Capital, numa das muitas varas cíveis, houve uma ação proposta pela proprietária de uma cadelinha de raça, contra o proprietário do hotelzinho de cães.

A dona queria ser indenizada porque o proprietário do estabelecimento dissidiara-se nos cuidados e a cadelinha foi emprenhada por um vira latas, o que muito desvalorizaria seu animalzinho.

Não me lembro de como terminou a demanda. Mas o colega, hoje desembargador aposentado, no meio da sentença, lascou: “Pois é. Os cachorrões brigando e os cachorrinhos se amando.”

O Autor é Advogado (OAB/SP 25.586) e

Desembargador Aposentado (TJ/SP).

E-MAIL: oliveiraprado@aasp.org.br

Publicado em 12/06/2025,  Jornal Cidade (Rio Claro/SP), Página 02

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