DUAS PARÁBOLAS
Irineu Carlos de OLIVEIRA PRADO
Todos de minha geração, nascidos ao meio do século passado, bem sabem que a leitura da Bíblia pelos fiéis não era incentivada pela Igreja Católica. Até aos primeiros anos de 1970, como tenho na memória, e no que se refere a mim. Por certo, efeitos do Concílio Vaticano II (1965), pelo qual foi encorajada a leitura da Bíblia pelos fiéis católicos.
Comecei a me aproximar da Sagrada Escritura na época de Grupo de Jovens, na Paróquia da Senhora da Saúde. Quando já jovem adulto, com pouco mais de vinte anos.
Antes disto, ao tempo do Padre Antonio Janoni, na mesma paróquia, eu, juntamente com dois queridos amigos, hoje ambos na eternidade (Laércio Cecagno e José Carlos Ráiz), proferimos algumas leituras da Palavra, na Missa Dominical.
Quando tive a oportunidade de leituras mais profundas, deixei-me impressionar com duas parábolas (como sabemos, estórias que o Divino Mestre utilizava na divulgação da boa doutrina), e que até os dias de hoje me são muito significativas.
Refiro-me, inicialmente, à Parábola da Dracma perdida (Lucas, capítulo 15, versos 8 a 10), a qual, como outras duas (A ovelha perdida, e o Filho Pródigo) evidenciam a ênfase de Jesus Cristo pelos perdidos, e sua recuperação.
Na parábola da Dracma perdida, sendo esta moeda valiosa, uma mulher varreu toda sua casa à sua busca e, encontrando a moeda perdida, dá Graças, e reúne as amigas para comemorar.
Entendia, inicialmente, a alegria que a cada um acomete, por encontrar algum objeto seu, perdido. Porém, esta parábola foi contada por Jesus Cristo, respondendo às críticas de fariseus e escribas, os quais o acusavam de se associar aos pecadores.
Mas o Senhor nos ensina, que Deus valoriza a humildade fortemente, de nós nunca desistirmos, como procedeu a mulher, na busca da moeda perdida. Ele – o Divino Mestre – nunca desistiu de nós, e nos busca até nos encontrar, e nos mostrar o bom caminho.
A outra parábola que me atrai é a da Oferta de uma viúva pobre (Marcos, capítulo 12, versos 38 a 44). Nesta, Jesus Cristo, estando próximo, vê a viúva pobre (como pobres eram todas as viúvas da época, em geral) depositando no local adequado, duas moedas de pequeno valor.
Em seguida, fala para os presentes que a viúva ofertara à sinagoga tudo que possuía, muito mais do que os Mestres da Lei e Escribas, poderosos de então, que só tinham aparência, e por vezes exploravam as viúvas.
Disse Jesus (verso 44): “Eu afirmo a vocês que esta viúva pobre deu mais do que todos. Porque os outros deram do que estava sobrando. Ela, porém, tão pobre assim, deu tudo quanto tinha para viver.”
Trazendo esta parábola para os dias de hoje, é de se perguntar, como estão nossas doações, para que a Igreja possa manter-se, e instituições (Como a Sociedade de São Vicente de Paulo) tenham como amparar os pobres.
Estamos doando mais do que a viúva pobre, conforme os bens materiais que o bom Deus nos reservou?
Ou nos comportamos como os afortunados de então, que mais aparentavam riqueza, e simulavam preocupação religiosa?
Bom lembrar que a Igreja, de qualquer credo, conquanto lide muito com atividades do espírito, e divulguem a palavra de Deus, não podem prescindir do aspecto material: recursos para suas despesas (energia elétrica, funcionários, manutenção do templo, etc.).
E é aí que devemos pensar como tem sido nossa generosidade, doando insignificantes moedinhas, ou coerentemente com nossos recursos, algo mais elevado, pela bondade de Deus. Certo que as doações devem ser sempre sigilosas, mas Ele fica sabendo.
Autor é Advogado (OAB/SP 25.686) e
Desembargador Aposentado (TJ/SP).
E-MAIL: oliveiraprado@aasp.org.br
Publicado em 13/11/2025, Jornal Cidade (Rio Claro/SP), Página 02


Referencias bíblicas são sempre uma chamada de atenção. Conhecendo estes princípios, via parábolas, ou outros escritos da sagrada escritura, vemos o quanto nos furtamos, falando por mim, na observância destes ensinamentos.