NOVOS “CAUSOS”
Irineu Carlos de OLIVEIRA PRADO
CHARLATANISMO: Quando juiz auxiliar da Capital, Fórum Regional de Santana, nos anos noventa do século passado, ouvi isto de querido colega. Contou-me Edson Blanes, que logo depois foi convocado pela Divina Providência, passando a integrar uma das Turmas Julgadoras do Juízo Final. Dizia o colega sobre a atividade chalatanística de médico, na Capital Paulista. Em ano do século passado, época em que a medicina não dispunha de meios para indicar o sexo do nascituro, como nos dias de hoje, tal médico, apregoando ser especialista nesta atividade, afirmava que podia, sim, informar e satisfazer a curiosidade dos pais, quanto ao sexo do brasileirinho em gestação.
Recebia o casal em consulta (valor não módico), tomava medidas da gestante, fazia indagações, e desenhava um certo teatro. Após o que informava sua conclusão. Só que em sua ficha anotava justamente o contrário do que informado aos pais. Sendo que só há duas possibilidades, jogava com a sorte. Acertando, era cumprimentado. Mas bem podia não acertar, já que sua ciência era nenhuma. Neste caso, na reclamação dos pais, alegava mal entendido, mostrando o que anotara, corretamente com o sexo do nascituro.
O sucesso do charlatão durou um bom tempo, mas virou caso de polícia, como não poderia ser diferente.
O BATOM DE RISOLETA. Certo político rioclarense, agora longe desta atividade, e quase jubilado, esteve presente no velório do Presidente Tancredo Neves, em Brasília, decorrente de sua importância pessoal, à época.
Em certo momento, pode ver quando Dona Risoleta, a viúva, servindo-se de um café, em xícara com o timbre do Congresso Nacional, deixando a marca de seu batom na porcelana. Para registrar sua emoção, deu um jeito para colocar em seu bolso, xícara e pires.
Colocou os objetos, com a significativa marca de batom na xícara, em sua cristaleira, em posição de destaque. E não é que, algum tempo depois, a zelosa empregada da casa entendeu de limpar o batom da xícara, ficando no móvel uma xícara comum, sem que o então político pudesse contar o seu valioso significado e a importância para sua exposição.
DIGA DIGA. Conta uma quase lenda entre os advogados trabalhistas locais que, há algumas decadas, certo Magistrado com pouca disposição de decidir um processo de grande relevância, já havia despachado, mais de uma vez, nos seguintes termos: “Diga o Reclamante”. Conhecido expediente que nenhum Magistrado se utiliza em dias de hoje. Conta-se que o advogado do reclamante, ilustre colega, manifestou-se assim: “Meritíssimo Juiz. Tudo que me cabia dizer, já o disse. Diga-o agora, Vossa Excelência.”
PIZZA NAPOLITANA. Na década de 1960, o Brigadeiro Faria Lima, Prefeito de São Paulo, esteve em Nápoles, a convite do Governo Italiano. Em certa oportunidade foi-lhe dito que tomasse o café elaborado à moda napolitana, e comprovasse que estaria tomando bebida até melhor que no Brasil. O Brigadeiro serviu-se, reconhecendo que lhe foi servido ótimo café. Mas revidou: “em São Paulo, tenho comido pizzas melhores do que as a mim servidas em Nápoles”.
DESCOBRIR RUIDO. Em 1980, ainda Juiz Substituto em Piracicaba, o colega Francisco Alberto Marciano da Fonseca, ilustre filho da terra rioclarense, e convocado prematuramente para integrar o Tribunal do Juízo Final, estava colhendo o depoimento de uma testemunha de acusação. Esta acompanhara os policiais que prenderam certo motorista que trazia porção de maconha em seu carro.
Disse-lhe a testemunha que a porção de maconha foi encontrada atrás do velocímetro do carro. Diante a pouca verossimilhança do afirmado quanto ao local, e a facilidade com que a maconha foi encontrada, Beto Marciano, de afiada veia humorística, não resistiu: “Vou recomendar à concessionária que contrate o senhor, para localizar certo barulhinho do meu carro, que não é encontrado de jeito nenhum”.
Autor é Advogado (OAB/SP 25.586) e
Desembargador Aposentado (TJ/SP).
E-MAIL: oliveiraprado@aasp.org.br
Publicado em 04/09/2025, Jornal Cidade (Rio Claro/SP), Página 02


Interessante e humorosas estorias anedoticas, se é quer posso definir assim.