PALPITE ELEITORAL.
Irineu Carlos de OLIVEIRA PRADO
Nestes quase oitenta anos que a Divina Providência me conferiu, já vivi em tristes épocas de nossa política, impostas pela Ditadura; o que não há de repetir-se entre nós.
Tempos em que o Povo não votava para Governador, Presidente da República, Senador e Prefeitos das grandes cidades. Hoje que tudo isto é possível, ouso proferir alguns palpites que os eleitores possam aceitar e até atender.
Na época pesarosa de nossa história, Presidente da República, Governador e Senador, eram eleitos indiretamente. O Congresso, no primeiro caso, e a Assembleia Legislativa noutro, é que se prestavam a Colégio Eleitoral, elegendo candidatos que interessavam aos poderosos do momento. Eram os biônicos.
Os Prefeitos das grandes cidades eram nomeados pelo Presidente da República.
Agora que, livre e democraticamente, podemos escolher nossos candidatos, este sublime exercício da cidadania não pode dar-se sem grandes cuidados. Certo que, naqueles tempos, que não mais hão de voltar, muitos nem sequer podiam candidatar-se.
Já escrevi em meu artigo anterior (“Voto distrital e candidatos de fora” – Cidade de 17.09.26) sobre o cuidado que devem ter os eleitores, para que votando em candidatos a Deputado Federal e Deputado Estadual, de Rio Claro, nossa cidade possa ter representação.
Inclusive comentei o pouco caso que os mais votados em Rio Claro, e eleitos em 2022, dispensaram à Comissão pela Volta dos Trens de Passageiros a Rio Claro, da OAB local, que tenho a honra de presidir.
Mas a Volta dos Trens é apenas um detalhe do que vai-nos fazer falta se continuarmos sem Deputados.
Daí o meu cuidado em alertar os eleitores de Rio Claro. Os candidatos a deputados de fora – que voltaram a pedir votos dos rioclarenses – passadas as eleições e a posse, nunca mais vão-se lembrar dos preciosos votos que aqui receberam.
É questão elementar. Vários rioclarenses concorrem a Deputação, tanto federal como estadual. Haverá quem mereça a confiança do eleitor rioclarense. E este, se eleito, poderá se cobrado, aqui residindo. Pena que ainda não se dispor de Voto Distrital quando, fatalmente, um daqui seria eleito.
Não me atrevo a falar dos candidatos a Governador e a Presidente da República. Os mais cotados gozam da preferencia de seus eleitores, e eu desejo, de coração, que o eleito seja o melhor, para o Estado e para o País.
Porém, quanto aos candidatos ao Senado, não posso deixar de apresentar meu comentário.
Temos duas corajosas e valentes mulheres candidatas ao Senado, mas que nunca fizeram política em nosso Estado. Uma já foi Senadora pelo Acre, e a outra vice governadora, senadora e Prefeita, no Mato Grosso do Sul.
Tenho comigo que mais correto seria que buscassem votos em seus estados de origem, já que exibem valioso e positivo passado político.
Além disso, as duas ocuparam cargos de Ministras. Se eleitas, e se o candidato à presidência da República que apoiam também o for, fatalmente serão reconduzidas aos Ministérios em que foram bem sucedidas.
Para assumir os ministérios, devem se afastar do Senado, e serão substituídas cada uma por seu suplente. Desconhecido de todos, e que será feito senador sem um voto sequer dos eleitores de São Paulo.
Será isto correto?
Época houve em que o suplente de Senador seria o segundo colocado nestas eleições majoritárias. Fernando Henrique Cardoso, nesta posição em pleito que Franco Montoro elegeu-se Senador, assumiu cargo no Senado com a eleição deste a governador de São Paulo.
Critério mais correto que, infelizmente, foi abolido.

Autor é Advogado (OAB/SP 25.686)
Desembargador Aposentado (TJ/SP).
E-MAIL: oliveiraprado@aasp.org.br
Publicado em 02/10/2026, Jornal Cidade (Rio Claro/SP), página 2
Fonte de imagem: google

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