N A T A L

Irineu Carlos de OLIVEIRA PRADO

Por certo, quando criança, o Natal para mim e as demais haveria de ser como hoje. Presentes, comida melhor, doces, etc. Época de alegria. Porém, como adulto, esta época me traz certa tristeza, a qual não consigo disfarçar. Além de ser tempo em que tudo que não se fez no ano, as pessoas querem fazer nos últimos dos 365 dias, tenho que esta data merece reflexão.

Mas me entristece que muitos brasileiros, talvez metade deles, vivendo na linha da pobreza, ou abaixo dela, ficam de fora dos presentes, e das festas, com comidas e bebidas ao exagero.

Mesmo quando estas pessoas são lembradas, é bem de ver-se que isto só se dá nestes tempos. No resto do ano, nada têm para comemorar. Sem o presentinho e alguma atenção. E sem incentivo ao progresso pessoal.

E isto pouco feito aos pobres, no resto do ano, é que me leva à tristeza. Se o que se faz – minimamente, como sabido – aos menos favorecidos, nos demais dias dos anos fosse feito, certamente os pobres não seriam em tão elevado número.

Certo que o pouco feito por alguns – também por este articulista – às vésperas do Natal, não se mostra suficiente para reduzir a miséria do mundo, ou ao menos do Brasil.

Por isto que, perto do Natal, continuo triste. Na única oportunidade em que até manifestei alegria foi quando, há perto de cinquenta anos, na então cadeia pública local, os Vicentinos da Conferência de São Dimas, sob a liderança de Lúcio Guedes de Camargo, organizamos ceia de Natal para os reeducandos e seus familiares. Até com o então promotor de Justiça Alcyr Menna Barreto de Araújo, servimos, como garçons, singela refeição natalina.

Com a alegria dos comensais, ao par de nossa esperança na ressocialização que, com alguns, foi obtida, fui contaminado e, naquele Natal, não fiquei triste. Por razões sobre as quais ainda escreverei, a atividade vicentina junto aos reeducandos, acabou-se findando.

Sobre o tema, é bom lembrarmos artigo do Cardeal Arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Scherer (“Quando Jesus nasceu?” – Estadão, 13/12/25 – página A 6), onde se tem, dentre outras elevados ensinamentos, que não é importante o dia em que o filho de Deus veio ao mudo fisicamente, mas que ele nasceu, trazendo-nos mensagens para toda a vida.

Diz o artigo, principalmente, que mesmo não se sabendo a data do nascimento de Jesus, por naturais dificuldades de registros, o certo é que Ele nasceu. E o Natal não deve consistir, singelamente, em festa de aniversário, turbinada pela sociedade de consumo, mas comemoração religiosa, e oportunidade para reflexão sobre seus santos ensinamentos, muitas vezes desconsiderados.

Com isto, formulo aos leitores votos de um Santo Natal. Que a data seja comemoração do que Ele nos ensinou, superiormente.  E, sempre, Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

TREM DO NATAL. Continuo indignado com a Rumo. A composição bem decorada e iluminada, mais uma vez, em dias recentes, passou por Rio Claro. Mas isto foi feito, de novo, em desconsideração para com a Cidade. Onde já se viu trem que não entra na estação? Sabe-se que a antiga linha da reta, que chega à plataforma da quase destruída Estação Ferroviária, tem condição de receber composições ferroviárias, bastando apenas que a Rumo instale um pequeno e barato aparelho para que a linha secundária comunique-se com a reta, permitindo que todo trem adentre à nossa Estação.

Verdade que o advogado Heitor Alves, do gabinete do Prefeito, em reunião da Comissão pela Volta dos Trens de Passageiros, na Casa do Advogado, prometeu que, com o chefe do poder executivo, cuidaria para que isto acontecesse (trens dentro da Estação). Inclusive uma melhoria geral, permitindo segurança e bem estar para que o local possa ser frequentado por nossa população.

 

Autor é Advogado (OAB/SP 25.686) e

Desembargador Aposentado (TJ/SP).

E-MAIL: oliveiraprado@aasp.org.br

  Publicado em 25/12/2025,  Jornal Cidade (Rio Claro/SP), Página 02

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