A ESCOLHA DE SOFIA.

Irineu Carlos de OLIVEIRA PRADO

Amigo e colega bastante lúcido e inteligente, comentava comigo, um pouco antes da apuração dos votos presidenciais do domingo último, que os candidatos com índices de rejeição perto de cinquenta por cento cada um, nosso pleito estava a representar uma Escolha de Sofia.

Sabe-se que esta é uma expressão que se presta a descrever situação em que a pessoa é levada a escolher entre duas alternativas, todas dolorosas, trágicas, desastrosas ou insuportáveis, em que qualquer decisão mostra-se prejudicial ou em grande perda.

A Escolha de Sofia é um romance de Wiliam Styron, e transformado em filme, ano 1979, estrelado por Meryl Streep. Conta o romance que Sofia, polonesa prisioneira em Campo de Concentração, na Segunda Guerra Mundial, recebeu ordem de oficial nazista, para escolher qual dos filhos (um menino e uma menina) seria enviado à Câmara de Gás, com morte certa. E, se não escolhesse, ambas as crianças seriam executadas. Relutante, Sofia escolheu o mais velho.  E, para o resto da vida, consumiu-se pela culpa.

Assim, no pensar do querido amigo, na medida em que cada candidato tem elevado índice de rejeição, em qualquer que votasse estaria escolhendo mal.

Porém, a maioria dos eleitores, em percentual superior próximo de três por cento, a Escolha de Sofia não faz diferença. Estariam convencidos que votaram no melhor, ou no menos pior, não ouvindo os adversários e contando que Deus lhes confiara acertar na decisão.

Verdade que o movimento dos titulares do Mercado de ações e da cotação do dólar na segunda feira, indicam que estes não estavam satisfeitos com o resultado do pleito presidencial. Mas o melhor é esperar que estes mercados se acalmem, acolhendo suas providencias.

Ocorre que ambos os lados devem se conformar, torcendo para que as promessas se concretizem, o que nos levará bem próximos do paraíso, se também os eleitores bem se lembrem do que o candidato vencedor prometeu.

De todo modo, não custa desejar que o Todo Poderoso abençoe e ilumine o vencedor reeleito, e que este mereça e acolha as palavras do Livro dos Livros, em que Salomão (Livro dos Reis, Capitulo 3, versos 9 a 12) roga e é atendido pelo Senhor, sobre a boa governança de seu povo: “Dá, pois, a teu Servo um coração compreensivo, capaz de governar o teu povo e de discernir entre o bem e o mal. Do contrário, quem poderá governar este teu povo tão numeroso? Essa oração de Salomão agradou ao Senhor. E Deus disse a Salomão: ‘Já que pedistes estes dons e não pediste para ti longos anos de vida, nem riquezas, nem a morte de seus inimigos, mas sim sabedoria para praticar justiça, vou satisfazer o teu pedido; dou-te um coração sábio e inteligente, como nunca houve outro igual antes de ti nem haverá depois de ti”

E sendo Deus brasileiro, o reeleito há de fazer um bom governo.

O sofrido povo brasileiro bem o merece.

E como pensam os que se mostram entendidos, que o novo governo gaste menos e não seja muito voraz em matéria de tributos.

Não sei com que recursos, mas que os proventos dos aposentados e dos demais beneficiários de benesses sociais, sejam reajustados pelos índices da inflação, ao menos.

Que o novo governo não se atreva a criar mais obstáculos para as aposentadorias. Não se pode aposentar o trabalhador na véspera de seu óbito.

 

Autor é Advogado (OAB/SP 25.686) e

Desembargador Aposentado (TJ/SP).

E-MAIL: oliveiraprado@aasp.org.br

 

Publicado em 29/10/2026, Jornal Cidade (Rio Claro/SP), página 2 

FONTE: IMAGEM DO GOOGLE.

 

 

 

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