FÉRIAS PRESIDENCIAIS

A grande imprensa, rádios, televisões e redes sociais têm, nas últimas semanas, criticado duramente o Capitão Presidente, por ter permanecido em férias, enquanto cidades da Bahia e outros Estados jaziam afundadas nas águas de chuvas inclementes.

Sendo sincero, tenho para mim que  isto não pode, por si só, ser objeto de crítica, como feito. Não se trata, nem de longe, de uma das grandes maldades da administração Bolsonaro.

É claro que se o presidente achasse melhor deixar suas férias (merecidas?) no litoral catarinense, com alguns circuitos de jet-ski, e o doce fazer nada, bem poderia agradar alguns oposicionistas, e ser aplaudido por correligionários. Os primeiros falando que cumpriu sua obrigação, e os segundos enaltecendo suas qualidades de bom presidente, ao abalar-se em sobrevoar as cidades atingidas. Ou cumprimentando alguns flagelados.  Mas no que – objetivamente   observado – isto ajudaria os que estão e estiveram sofrendo com as cheias bem fora do normal?

Demagogia – a bem da verdade – porque as Prefeituras (certo que os atingidos pela catástrofe moram nos municípios) precisavam e precisam de recursos financeiros, alimentos, remédios, profissionais de saúde, água potável, etc. para acudir seus munícipes.

Pelo que foi divulgado, ajudas emergenciais já foram agilizadas. Dinheiro foi remetido para as regiões, os Ministérios das áreas competentes foram acionados, assim como as Forças Armadas. Tudo na medida do possível, aparentemente. O mais, o generoso Povo, os Governadores e os Prefeitos completam, como sempre.

Tenho que a presença presidencial em nada melhoraria o socorro aos que precisam de assistência. Grande aplauso mereceria o Presidente se sua presença pudesse resolver  ou ajudar na superação da catástrofe. Claro – teria, para muitos – belo efeito moral. Mas será que isto afeta ou incomoda quem é notório negacionista, como agora se vê quanto à vacina anti Covid, para crianças e adolescentes?

Esta questão (manter-se em férias e não ir às regiões alagadas) remete à avaliação do que importa ser feito em situações extremas.

Conta Sebastião Neri (“Folclore Político – 1.500 histórias”, Geração Editorial, página 76) que estando em greve por conta de atrasos salariais ferroviários da Rede Mineira de Viação, com movimento centralizado em Divinópolis, ao Governador Milton Campos foi sugerido por certo Secretário que, ao local fosse enviado, por trem (existente à época), um contingente de policiais, para “pacificar” os paredistas.

A autoridade, com sabedoria, decidiu que mais adequado e suficiente seria enviar até os grevistas, um Trem Pagador. Assim eram pagos os salários na época.

Se o Capitão não tem culpa pelo excesso de chuvas, nem poder para reduzi-las (ao menos por ora), ir até à região alagada e destruída, interrompendo suas férias, é de todo indiferente. Já que teria enviado para lá seu “Trem Pagador”.

Mas bem que poderia ser educado ao recusar a ajuda oferecida pelos “Hermanos”.

 

Advogado militante nesta Comarca

e-mail: oliveiraprado@aasp.org.br

www.oliveirapradoadvogados.com.br

 

Publicado em 13/01/2022,  Jornal Cidade (Rio Claro/SP), Página 02.

 

 

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